quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Receita de Ano Novo


Árvore da felicidade

Foto: Fabrícia Soares

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

[Receita de Ano Novo, Carlos Drummond de Andrade]

Mais uma vez, feliz 2010! Feliz tudo para todos!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Bagagem para a vida


Foto: Fausto & Valéria

Não se soma à alma aquilo que não é capaz de entrar dentro dela. E alma só se preenche com silêncio, algum poema, um conselho que, de bom, foi esquecido, beijo de mãe quando dorme, uma reza sincera ao anjo da guarda, um amor que é eterno e raro de se achar. E outras centenas de coisas que todos podem ter, se não estiverem com muita pressa. Uma alma pode estar vazia ou cheia de inutilidades. Mas ela existe.

[A sombra de nossas asas, Fernanda Young]

Que em 2010, nossas almas se preencham de eternos amores, sinceras amizades, apertados abraços, intensos beijos, multicoloridas alegrias, ternas ternuras, livres aventuras, simples bons momentos e grandes felicidades. Feliz tudo para todos!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O canto da esperança


Foto: Fausto & Valéria

Do meu apartamento, que dá para uma relaxante área verde, escuto - quase que constantemente - o canto das cigarras. E, me pus a refletir sobre a beleza do cântico entoado por essas pequenas criaturas. Costumo adorar e entrar em sintonia fina com aquele som quase que mágico, que me transporta para a esperança. Sim, tenho a sensação de plenitude no ser e fé no futuro quando ouço as pequenas. E, agradeço por ter mesmo a sorte de meu pequeno apartamento possuir como pano de fundo essa área verde, privilegiada por ser povoada por cigarras.
Elas cantam toda a tarde. Um canto que invade a alma de desejos do bem, de esperança infinda no futuro, de lirismo no ser, de alegria plena. Quando as ouço, o tempo congela, o ritmo alucinado do dia-a-dia diminui, os problemas dão uma pausa. Sim, para mim, o canto das cigarras significam uma pausa na vida e uma fé no amanhã.
Até sei que biologicamente, não é nada disso, não. Na realidade, as cigarras emitem esse zumbido para atrair o parceiro. E, depois que copulam, apenas se vão. Deixam de existir. Mas, até assim, consigo enxergar beleza e poesia. Pois, quer coisa mais linda do que cantar lindamente para seduzir o outro e depois morrer de amor?
Minha avó, que detestava o canto delas por sinal, dizia que elas anunciavam o calor de Saara do dia seguinte. Não sei se tal afirmação tem algum fundo científico, só que realmente acontece. O amanhã sempre trás o sol para iluminar nossos caminhos, o calor para aquecer as almas e a crença de que tudo vai dar certo, de que tudo vai bem, de que vai ser melhor depois. As cigarras cantam. E, inundam o meu ser de esperança. Que sempre seja assim!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

É hoje!


Imagem: Divulgação EdUFF

Hoje, 17 de dezembro, serão conhecidos os vencedores do Prêmio UFF de Literatura 2009. E, essa que vos escreve comunica que foi indicada a concorrer ao Prêmio na categoria Crônicas. Na cerimônia, que também homenageia o Ano da França no Brasil, será lançada uma antologia com as obras selecionadas. A minha estará lá.
Estou muitíssimo feliz! Apesar de escrever há algum tempo, é a primeira vez que participo de um concurso de literatura e já ficar entre os finalistas é uma vitória.
Gros bisous,

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Então, é Natal...


Foto: Divulgação Empório Sta. Rosa

Mais um ciclo irá se findar. Ciclo de coisas bacanas, nem tão bacanas assim... Tempo para refletir, analisar, tempo de reeditar. Reeditar a vida, as nossas atitudes, os nossos desejos, as nossas vontades, os nosso objetivos. Avaliar aonde estamos e onde queremos chegar. Enfim, isso não é apenas mais um discurso demagógico, mas um sentimento verdadeiro de querer impulsionar a vida, os acontecimentos, a existência (que não pode e nem deve ser vã).
Este ano que está se esvaindo, consegui conquistar coisas bastantes positivas para minha vida (quem acompanha o Vou te levar, sabe do que se trata). E, na minha mais nova vida, vou ter o privilégio de vivenciar o Natal no meu mais novo recanto. Isso é bom demais da conta!
No entanto, faltava a árvore (ou a cereja no topo do bolo) que simbolizasse essa conquista. Só que eu também já deixei registrado aqui, que não tenho nenhuma identificação com a imagem de Natal que nos foi imposta pela mídia. Pois, sinceramente, o Brasil não combina em nada com pinheiros, neve, renas e papai noel em uma roupagem asfixiante.
Então, andei por aí em busca da árvore de natal perfeita (que não é a da foto acima, mas também me encantou com seu tropicalismo) e me tornei obsessiva, até encontrá-la em uma feira de artesanato do Nordeste. A minha pequena-grande-árvore é toda de cipó e agora só falta enfeitá-la para festejar novas esperanças em antigos sonhos. O que desejo a todos? Have yourself a merry little Christmas! Let your heart be light! E, seja feliz!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Simplesmente definitivo


Ilustração: Everson Cabideli

"Definitivo, como tudo que é simples, nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram."

[Carlos Drummond de Andrade]

Alguns amores são grandes, intensos. Alguns são maiores, sublimes. Alguns são verdadeiros, raros. Alguns são incondicionais, difíceis. Alguns são adversos, surpreendentes. Alguns são inesperados, alegres. Alguns são definitivos, simples. Encontrá-los é para poucos. Vivê-los é para muito poucos.
Amores assim, são feitos de pequenas sortes e descuidados acasos. Iluminam a vida, engrandecem a alma, melhoram o ser. Apenas chegam e invadem tudo mais. No entanto, amores assim, também magoam, também trazem dor, também chegam ao fim. Amores assim, sempre deixam um gosto amargo de inacabado, incompleto. Amores assim, abandonam uma infinidade de possibilidades imaginárias.
O caminho continuará a ser percorrido, mas sem a doce presença do definitivo amor. Só o que haverá será a simples e difinitiva lembrança do que poderia ter sido, do que poderia ter vivido, do que poderia ter existido.
Não, não haverá manhãs bem-humoradas a serem acordadas ao seu lado. Não, não haverá mãos entrelaçadas em busca de objetivos comuns. Não, não haverá sorrisos cúmplices espalhados aos quatro cantos. Não, não haverá conversas em sintonia ímpar. Não, não haverá aquela amizade intimista. Não, não haverá aquela ternura cativante. Não, não haverá a sensualidade envolvente daqueles dois corpos.
Não, não estarão lado a lado compartilhando as dificuldades e as conquistas. Não, não estarão torcendo um pelo outro. Não, não viverão juntos. Não, não formarão um dueto, único e inequívoco. Serão apenas dois seres separados, que viverão suas histórias em um espaço sonhado e não realizado. Serão expectativas deixadas para trás, serão esperanças sem futuro, serão o ideal não concretizado, serão as esperas desencontradas.
Amores assim, às vezes, também devem ser vivenciados apenas lá, nessa dimensão imaginária. Não, não será covardia. Será grandiosidade do amor. Generosidade para com ele. Dignidade readquirida. Honestidade exposta. Inteligência madura.
Deixar o amor ir, endurece os sentidos, entristece o universo ao nosso redor, entorpece os sentimentos, adormece os próprios sonhos. Mas, talvez, possa significar a paz aguardada, a tranquilidade feliz, o amor em plenitude.
Simplesmente definitiva, a separação. Até o simplesmente definitivo encontro com um novo amor. Não, não será o mesmo sentimento, não ocupará o mesmo espaço, nem sequer terá a mesma importância. Nenhum é igual ao outro. Mas, será o amor da vida, não dos sonhos. E, será definitivo. Ou não. Qual de nós saberá?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Brincar de viver


Foto: Márcia Charnizon

Estou desaparecida do blog, pois ando por aí agindo a vida. Fui levada por um furacão de acontecimentos que me engoliu e, desde então, não tenho tido muito tempo para nada. Apenas para viver e processar esses acontecimentos. O primeiro passo, veio de mim mesma, do meu pedido de demissão. Sim, em meio a tantas pessoas buscando um fadado lugar ao sol, eu o dispensei.
Dispensei junto, a tristeza, a infelicidade, o estresse que afetava minha saúde, a falta de motivação que andava congelando o meu ser. Dispensei também um salário que não era satisfatório, mas pagava minhas contas de maneira razoável. Precipitação? Loucura? Impaciência? Insensatez? Muitos dizem que sim. Eu penso, simplesmente, que trata-se da busca de uma felicidade plena e de uma realização verdadeira.
Estava em uma fase de saturação, de trabalhar sem vontade, de realizar uma atividade com a qual não me identificava e de me encontrar adormecida perante a vida, sem perspectivas futuras, sem ânimo, sem amor para com a minha atividade. Não era justo comigo e nem com o meu empregador. Então, para o bem de ambos, tomei uma posição muito bem refletida. Pedi demissão sem nenhuma oportunidade em vista. E, fui viajar. Maluquice? Doideira? Não, nenhuma das opções. Fui refletir melhor, repensar minha vida profissional (e pessoal também), descansar a mente, relaxar o corpo. E, voltar com mais energia, mais bossa, mais alegria.
Foi preciso coragem. Coragem para enxergar os fatos com sinceridade perante a mim mesma, coragem para admitir que não estava satisfeita, coragem para tomar uma atitude tão decisiva, coragem para chegar a realizá-la. Mas está valendo a pena. Vale a pena ser honesta com os seus sentimentos e com as suas vontades, vale a pena abandonar uma situação muito da mais ou menos para alcançar seus reais objetivos, vale a pena recomeçar do zero e construir novos horizontes, vale a pena voltar atrás - enquanto há tempo - e escolher um outro caminho a ser percorrido, vale a pena se sentir em estado de graça e alegria constante.
Se tenho algum receio? Tenho, também. Muito. Só que coragem não é ter receio, coragem é você assumir que mesmo com receio, você deve escolher. Pois, pode parecer clichê, mas a vida é feita de escolhas. E, há um determinado momento, que somos compelidos a escolher. Eu fiz minha escolha. Estou feliz com ela. Tenho novos objetivos, novos projetos, novas conquistas em tão pouco tempo. Estou aprendendo a enxergar o mundo por um novo ângulo, descobrindo o que realmente importa nessa vida. E, muito pouca coisa importa. Simples gestos, pequenos grandes momentos, plenitude absoluta.
Ah... Claro que também sou dotada de uma capacidade de ter uma fé absurda no futuro. Acredito que vai dar certo. Simples assim. Afinal, a vida é uma grande e divertida brincadeira e ser feliz é o que há.

domingo, 29 de novembro de 2009

Mais perto!

Agora, o Vou te levar possui endereço eletrônico próprio.

Anote aí:


Para sugestões, críticas, bate-papo e tudo que a imaginação permitir.

Abraços,

Rachel B.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pausa para o relax


Foto: Rejane Wolff

Volto daqui a 10 dias... Descansada, desencanada, relaxada e desintoxicada das atribulações do dia-a-dia. Até.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tu me manques!


Ilustração: Marina Faria para Fragmentos

A saudade não se mede pelo tempo da ausência, mas pela intensidade da presença. No discurso amoroso, ela se esconde em letras e canções de uma determinada época. Aparece quando cruzo com alguém que usa o mesmo perfume. Habita pequenos fatos cotidianos, que geralmente passariam despercebidos, mas com você faria todo sentido. Quando acomete, tem urgência. É o coração querendo retornar. Para lugares que talvez nem existam mais. Para planos que desistimos. Ou que desistiram da gente. Mas continuo elaborando novos planos e crio mundos com minhas expectativas. A saudade é a distância entre eu e como eu gostaria de estar.

Texto: Tiago Yonamine para Fragmentos